Qual a influência de "A Nascente" na carreira do Rush?

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Antes de ler “A Nascente”, o livro que influenciou Neil Peart a escrever a obra-prima 2112, tive que me certificar de que estaria preparado para captar as melhores ideias e não me deixar levar pelo radicalismo de ultra-direita que ronda o nome da autora Ayn Rand.

Falando brevemente sobre a escritora, ela nasceu em São Petesburgo, na antiga União Soviética Czarista no ano de 1905 e viveu os horrores da vitória comunista ainda muito jovem, quando sua família teve seu negócio confiscado pelos ditadores. Cresceu, estudou filosofia e história na Universidade de Petrogado e mais tarde recebeu autorização para estudar nos Estados Unidos em 1925. Após se mudar, nunca mais pisou em solo russo novamente.

Ayn conta a história de um arquiteto norte-americano genial chamado Howard Roark, expulso da faculdade por se recusar a seguir os modelos técnicos conservadores dos seus professores que ensinavam que o mais importante na arquitetura era repetir o que já foi feito no passado. Mesmo expulso, Roark consegue seguir sua carreira e se muda para Nova Iorque, onde trabalha atendendo clientes que buscam algum tipo de inovação arquitetônica e que confiam na em sua visão modernista.

Ayn Rand nos Estados Unidos

Se formos comparar a trama do livro com a canção 2112, encontramos pontos muito semelhantes. Para relembrar, na música o protagonista cria um embate com os sacerdotes que lhe impedem de tocar seu violão, por não entenderem a beleza da canção e preferem seguir os mesmos princípios do passado. Vejamos um comparativo:

Bastante interessante. Voltando a questão de lado político da dramaturga Ayr Rand, percebemos que ela apresenta sua concepção de socialismo com a figura do personagem coadjuvante Ellsworth Toohey, pensador, professor e crítico de arquitetura que aos 16 anos perdera seu interesse pela religião e descobrira a corrente de pensamento socialista. Em uma das passagens, Toohey divulga seus ideais: “para atingir a virtude no sentido absoluto, um homem deve estar disposto a cometer os crimes mais hediondos contra sua própria alma, pelo bem de seus irmãos. Castigar a carne não é nada. Castigar a alma é o único ato de virtude”.

Fiquei tão preocupado com o ponto de vista dessa literatura que descobri que ele já foi até mencionado até num episódio dos Simpsons em que se pergunta: o livro “A Nascente” não é considerado a bíblia dos otários de direita?”  

Para dar o tiro de misericórdia, no mesmo dia que termino o livro, leio a notícia de que a música “Limelight” do Rush é tocada na Convenção Nacional do Partido Republicano com o candidato Donald Trump.

Episódio dos Simpsons cita "A Nascente" de Ayn Rand

Após todo esse “bololô” de conceitos, era difícil desassociar o Rush com o pensamento “de direita”, mas logo percebi que estava fazendo algo condenável, quase um crime inafiançável: “buscar colocar o Rush em algum tipo de gaveta”. Um dos fundamentos mais extraordinários dessa banda é a sua sólida concepção de solapar qualquer tipo de gavetas ou etiquetas: seja de ideias, de estilo musical ou de qualquer outra coisa.

Além dos integrantes já terem declararado que não se identificam com o lado radical de Ayn Rand, devemos ter em mente o seguinte, Neil se baseou em Howard Roark para escrever 2112, com o intuito de mostrar a importância de buscarmos um ideal, de tentar nos desvencilhar de padrões pré-concebidos. Na minha opinião, seria correto afirmar: Howard é um teimoso-idealista e isso é muito associado não só com enredo de 2112, como também com o próprio álbum proporcionou à carreira do Rush. Basta lembrarmos que o disco anterior Caress of Steel foi um fiasco de vendas e a gravadora Mercury Records exigiu que o próximo disco fosse comercial. No entanto, a banda apresenta então 2112, um álbum que tinha uma música com mais de 20 minutos, ocupava todo o lado do lado A do vinil, e tinha um tipo de som sem qualquer comparativo com outra bandas de rock.

Criticado ferrenhamente pela gravadora, o power-trio desdenhou as reclamações e percebeu que conseguia uma legião imensa de fãs que se impressionaram com as letras, com a musicalidade e provavelmente pela falta de “gaveta musical”. Teimosos, idealistas e musicalmente perfeitos esse é o Rush.

Tânios Acácio

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