• Facebook Social Icon

Confluência do Acaso

Para quem já leu o livro de Neil Peart , "Ghost Rider - A Estrada da Cura", vai se lembrar do Princípio da Confluência do Acaso que o melhor baterista do Mundo denomina, que significa na prática encontrar a pessoa certa na hora certa. E quando tudo parece se desenhar magistralmente, percebemos que é o poder da força atuando.

 

Sabendo sentir sabiamente o poder da força, Marcos Freire, baixista e tecladista da banda paulista Stage Left, escreveu sua I-N-C-R-Í-V-E-L história  com o Rush na turnê R40 e ganhou de presente a camisa Jedi Lee do Portal Rush Brasil e do Fantoons.

 

Leia atentamente esse artigo que envolve perdas de documentos, um grande carinho de irmão e uma foto memorável no jornal de New Orleans.

 

Nossa história começa em abril de 2015. Em cima da hora e de forma inesperada, fui afortunado por ganhar uma viagem para Nova Orleans para participar de um congresso acadêmico, com passagem aérea e hotel pagos.

 

O congresso aconteceria entre os dias 18 e 21 de maio, segunda à quinta-feira, e eu teria mais dois dias para diversão em Nova Orleans, cidade rica em atividades culturais e lendária por sua história musical.

O que seria uma semana maravilhosa em todos os aspectos se tornou algo inimaginável quando me dei conta de que o Rush tocaria naquela semana, na sexta-feira, 22 de maio a 500 metros do meu hotel. E eu estaria ali, procurando algum show de jazz para me divertir e passar o tempo...

Portal Rush Brasil premia o vencedor com uma camisa Jedi Lee

Já ciente de que talvez aquela fosse a última das grandes tours da minha banda favorita, era difícil não acreditar que não havia algo de mágico e extraordinário naquele fato. As coincidências eram grandes demais para julgar que aquilo era simplesmente uma obra do acaso e um bom punhado de sorte. Entretanto, já havia perdido o período de pré-vendas dos ingressos e os melhores assentos a preços justos estavam esgotados.

 

Comecei a perambular pelos sites de revenda Stubhub, Vividseats etc, e me deparei com valores astronômicos e a insegurança de não comprar diretamente do site oficial. Porém, para mim, o problema seria assistir ao show sozinho. Fui iniciado no Rock pelo meu irmão Silvio, guitarrista na banda Stage Left, lá pelos 5 anos de idade. Até hoje, tocamos na mesma banda e fizemos muitas loucuras juntos, principalmente para assistir ao Rush. Certamente, não haveria o mesmo impacto e a mesma sensação se ele não estivesse comigo naquele show. A sensação era de que algo muito especial estaria por vir e não ter a companhia dele naquele momento seria algo de certa forma triste, pois certamente ele também estaria chateado por não estar ali comigo. 

 

Lembro-me muito bem do primeiro show que o Silvio assistiu do Rush em 1996, numa viagem a trabalho. Não havia whatsapp na época, não tínhamos telefones celulares ou internet em casa. Lembro-me de que no horário do show, liguei o meu toca discos de vinil e coloquei na sequencia Exit..Stage Left e Show of Hands ...de olhos fechados e luzes apagadas, fiquei tentando imaginar a sensação de estar vendo o Rush ao vivo e feliz por imaginar que o Silvio estava lá, vendo tudo aquilo ao vivo e a cores...

 

Não dormi a noite inteira até que recebi a ligação dele no telefone fixo me passando a resenha daquele fantástico show da T4E tour em West Palm Beach. Ainda jovem, não contive minhas lágrimas ouvindo a descrição dos efeitos especiais, a relação do setlist, música à música, e da atmosfera de um show do Rush... Dormi satisfeito pois pelo menos um de nós havia presenciado aquele espetáculo indescritível. Desde então, fizemos várias loucuras para acompanhar a banda, cada uma com suas histórias e sensações mirabolantes... Mas voltando à mágica Nova Orleans, liguei para o Sílvio e o convidei para o show, dividiríamos o hotel e ele arcaria com ingresso e passagem aérea.

 

Ele ficou extremamente dividido, mas negou o convite por questões familiares e profissionais.

 

Já conformado em assistir ao show sozinho, e apesar da grave crise econômica e da falta de reservas econômicas, optei pelo tudo ou nada. Como não pagaria passagens e hospedagem, decidi comprar o melhor ingresso disponível. No Stubhub, encontrei um ingresso na primeira fila, centro do palco, frente para o Neil e Geddy por uma valor astronômico. Floor A, fileira 1, assento 11. Fiz as contas e lembrando que aquela talvez fosse a minha última “Rush Experience”, fechei a compra sem pensar em como iria pagar a fatura...

Sem acreditar no que estava acontecendo e sem imaginar o que estaria por vir, a excitação aumentava a cada dia até a fatídica data do voo.

Meu voo seria no sábado, 16 de maio. Algumas horas antes do embarque, tive um dos meus passaportes extraviados por furto. Exatamente aquele que continha o visto americano. O passaporte atual estava em outra mochila e a salvo, mas não havia permissão para entrar nos EUA sem visto. Fui até o a delegacia, registrei B.O., contatei o consulado americano e consegui agendar uma entrevista de urgência para novo visto, mas somente para a próxima terça-feira (19 de maio).

 

Algum fio de esperança me dizia que conseguiria um visto de urgência na terça-feira, voaria na quarta e assistiria o show na sexta-feira.

Durante aquele final de semana, fui duas vezes ao aeroporto de Guarulhos e procurei meu passaporte na delegacia da Policia Federal e em todos os setores de achados e perdidos, na esperança de que alguém pudesse tê-lo devolvido, obviamente, sem nenhum sucesso...

Desanimado e sem muitas esperanças, liguei para o Sílvio e fui categórico: “você acaba de ganhar um ingresso na primeira fila para o show do Rush em Nova Orleans. Vire-se com a hospedagem e queime umas milhas. Não esqueça de me ligar depois do show....

Depois de algumas horas refletindo, Silvio me ligou dizendo que, milagrosamente, conseguiu uma passagem com milhas para a quarta-feira, ficaria em Nova Orleans até o sábado após o show e nós não perderíamos o ingresso.

 

Relembrando a situação que vivemos em 1996, liguei na Stubhub e transferi o ingresso para o seu nome...No dia do show, ligaria a TV e assistiria a algum dos shows recentes, quem sabe ele mandaria algo pelo periscope, ou algum vídeo pelo whatsapp...A tecnologia nos aproximou de um modo que para nós seria inimaginável há 20 anos, mas a sensação seria a mesma...

Na terça-feira pela manhã, consegui ir ao consulado e convenci o oficial de que precisava voar com urgência para os EUA e ele me ofereceu uma entrevista com o cônsul para o dia seguinte. Mesmo já tendo transferido o ingresso para o Sílvio, decidi ir e tentar um milagre...

No mesmo dia, à tarde, fui novamente ao aeroporto, desanimado, mas sabendo que deveria tentar de tudo. Perdi o chão quando encontrei o passaporte no setor de achados e perdidos...abri e não acreditei que o visto estava ali com a minha foto, válido até 2021!

Corri para casa sem saber o que fazer...já tinha perdido o congresso, mas talvez conseguisse manter o hotel e, quem sabe, pudesse assistir ao show. Liguei na TAM e consegui uma passagem aérea por astronômicos R$ 5000,00 para a quinta-feira à noite, show na sexta-feira, volta no sábado... Após muito refletir, fechei a passagem...agora só faltava o ingresso...

 

Com o computador no colo, entrando no site da Stubhub, recebo uma ligação do Silvio: você viu que a American Airlines lançou uma promoção com voo para Nova Orleans para esta semana a R$900,00? Desliguei o telefone imediatamente sem terminar a conversa e liguei para a TAM, pedi o cancelamento da passagem que havia comprado há 15 minutos e, ao mesmo tempo, fechei a passagem por R$900,00 pela American Airlines.

 

Inacreditavelmente, consegui um reembolso total da TAM...Não contei para o Silvio a princípio, ainda faltava o ingresso...

No site da Stubhub, procurei ingressos mais baratos e tentei o mesmo setor do primeiro ingresso. Vi que havia ainda um ingresso na primeira fila, mas neste site não se sabe em que cadeira sentaria...o assento só seria revelado após a compra. O ingresso estava por um valor 40% mais baixo do que havia pagado. Sem pensar (novamente...) fiz a compra. Na pior das hipóteses poderíamos trocar de lugar com alguém e assistiríamos juntos ao maior show de nossas vidas.

 

No momento da impressão do ingresso, veio a surpresa. O último ingresso disponível era Floor A, primeira fila, cadeira 12. Exatamente ao lado do ingresso original!!!!

 

 

Liguei para o Silvio e contei a história toda. Ele não acreditou em uma palavra que eu falava... Nossas esposas classificaram a história como “golpe descarado”, para que pudéssemos viajar sozinhos e assistir ao show sem elas...Dali para frente, nada mais importava e nada mais poderia dar errado...

 

Depois disso, não houve mais imprevistos. No dia do show, ao meio dia, Silvio me pegou no aeroporto de Nova Orleans, fizemos alguns passeios pela Guitar Center local e pelo centro histórico da cidade. Às 18hs, fomos a pé para o Smoothie King Center e assistimos ao melhor show de nossas vidas... Ficamos a 30 cm do Geddy e do Alex em alguns momentos e batemos cerca de 400 fotos.

 

No dia seguinte ao show, ainda extasiados, entramos no site do jornal local de Nova Orleans para ler as resenhas e as impressões da imprensa local. A grande surpresa foi ver a foto de capa, batida do palco em direção à plateia, em que estávamos nós, lado a lado apesar de todo o imponderável.

 

Inacreditavelmente estávamos ali juntos novamente, imortalizados naquela foto e extasiados à frente de uma multidão de fãs enlouquecidos ao som da maior banda da história desta galáxia!

Marcos Freire com o punho em riste  celebrando

com seu irmão Silvio Poncherello com a camisa RUSH 40.

  • Facebook Social Icon
  • Wix Facebook page

+55 (31)-99361-0300

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now